Lidar com um tumor neurológico (cerebral ou no sistema nervoso central) é um desafio grande, não só pela doença em si, mas pelas sequelas: déficits motores, perdas cognitivas, alterações de humor, fadiga, dor, etc. A reabilitação entra nesse momento para “dar uma força” e permitir que a pessoa reconquiste o máximo de autonomia possível. Abaixo estão alguns dos principais benefícios.
1. Recuperação das funções motoras
Depois de uma cirurgia ou outro tratamento, é comum que o paciente tenha fraqueza, perda de coordenação, dificuldade para andar ou mover braços/mãos. A fisioterapia, com exercícios específicos, alongamentos, terapia de movimento, treino de marcha, etc., pode:
- fortalecer musculatura que ficou comprometida;
- melhorar amplitude de movimento nas articulações;
- reduzir rigidez ou espasticidade;
- melhorar equilíbrio, postura e coordenação;
- permitir que a pessoa volte a realizar atividades do dia a dia, como caminhar, sentar-se, levantar-se, subir escadas.
2. Melhora cognitiva e emocional
O tumor neurológico e seu tratamento podem afetar a memória, atenção, concentração, linguagem, raciocínio. Também há impacto emocional ansiedade, depressão, medo, frustração. A reabilitação cognitiva / neuropsicológica pode contribuir para:
- estimular funções como memória, atenção e linguagem por meio de exercícios específicos;
- recuperar ou compensar déficits cognitivos, ajudando a pessoa a readaptar-se;
- melhorar o autoconceito e a confiança, ao perceber que há progresso;
- reduzir sintomas de depressão e ansiedade, pois sentir que está recuperando traz esperança e empoderamento;
- oferecer suporte psicológico para lidar com as mudanças na vida, nas capacidades, etc.
O Centro CEREBRO, por exemplo, fala muito sobre neurorreabilitação que engloba aspectos cognitivos, motores e emocionais, com programas personalizados. (centrocerebro.pt)
3. Qualidade de vida e autonomia
Esse talvez seja um dos benefícios mais importantes, porque tudo o que for recuperado seja motor, cognitivo ou emocional – se traduz em mais autonomia, menos dependência de outras pessoas para as tarefas diárias, maior capacidade de participar da vida (social, familiar, ocupacional).
- Voltar a fazer tarefas básicas da casa, higiene pessoal, alimentação, etc., com mais independência;
- Movimentar-se mais livremente, sair de casa, retomar hobbies ou atividades de lazer;
- Melhor sono, menos dor, menor fadiga, o que melhora o bem estar geral.
4. Promoção de bem-estar físico geral, prevenção de complicações
Além da recuperação específica, a reabilitação ajuda a prevenir ou mitigar complicações secundárias:
- reduzir risco de contraturas, rigidez ou encurtamentos musculares;
- evitar complicações respiratórias (se o paciente ficou muito tempo imóvel, por exemplo);
- prevenir queda ou lesões por desequilíbrio;
- melhorar circulação, condicionamento físico, diminuir a fadiga.
5. Suporte interdisciplinar e personalizado
Outro ponto essencial: a reabilitação deve ser feita por uma equipe interdisciplinar, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, neuropsicólogos, fonoaudiólogos (se houver comprometimento de fala ou deglutição), médicos, psicólogos etc. E personalizada: cada tumor, cada cirurgia, cada pessoa vai ter áreas diferentes afetadas, diferentes graus de comprometimento. A atuação individualizada faz diferença.
A reabilitação não é uma solução imediata, os resultados aparecem aos poucos, e cada paciente tem um ritmo próprio. O mais importante é entender que cada pequena melhora já representa um avanço significativo no processo de recuperação. Quanto mais cedo o tratamento reabilitador começar, maiores são as chances de bons resultados, já que o cérebro possui uma incrível capacidade de adaptação e reorganização. Esse processo requer paciência, persistência e, acima de tudo, apoio tanto da equipe de saúde quanto da família. Cuidar do corpo, da mente e das emoções é parte de um mesmo caminho, e é essa integração que permite ao paciente retomar sua autonomia e qualidade de vida. A reabilitação, nesse sentido, não é apenas uma etapa final, mas um passo essencial na reconstrução da vida após o tratamento de um tumor neurológico.


